Portas de correr com design modernista viram febre no país.

O Japão é um território surpreendente. Com uma das culturas orientais mais conhecidas em todo o mundo, está presente em outros países através de seu povo, tradição, culinária e design.

Tradição japonesa

Um objeto em especial, vale ressaltar, está conquistando cada vez mais a arquitetura e o design brasileiros: as portas de correr. Na tradição japonesa, são elementos que trazem para o interior da casa textura e iluminação natural.

Já por aqui, apesar de não serem exatamente uma novidade, elas têm se tornado mais populares que nunca (devido à sua funcionalidade) e ganhado uma versão com o visual repaginado.

Tradição milenar


Shōji, a porta japonesa, é composta por painéis com estrutura de madeira e preenchimento de papel. Na tradição local do país, esse tipo de porta representa a conexão entre os ambientes internos e externos da casa. Assim, mais que um elemento de separação, ele representa integração.

Vale lembrar que a área externa de uma casa tradicional japonesa é tão importante quanto a parte interna e, exatamente por isso, seus também famosos jardins são tão bem cuidados. A porta de correr, nesse sentido, está afinada a essa filosofia de conexão.

Outro aspecto importante na configuração da porta são os papéis que preenchem as lacunas dos painéis de madeira. Conhecido como washi no idioma japonês, ele é sempre translúcido, o que permite uma entrada parcial de luz, bem como a observação, da parte de dentro da casa, de sua alteração ao longo do dia.

A verdade, contudo, é que o seu design, nos últimos anos, se mostra bastante atual e isso tem ajudado a reforçar sua popularidade. Entre as principais tendências do design e da decoração recentes no Brasil, vale citar que o minimalismo e o uso de materiais naturais está bastante presente. O shōji está alinhado a ambas características.

Economia de espaço


Bem antes de o minimalismo ser moda por aqui, portas de correr se tornaram uma opção para aqueles que buscavam economia de espaço. Isso porque, sem abertura da dobradiça, ganha-se todo o ângulo que ela ocuparia quando aberta. Há, contudo, aqueles que desgostam das portas de correr porque muitas vezes, ao longo do tempo, seu deslizamento se torna pesado, podendo a porta emperrar.

A solução para esse problema, entretanto, está em sua própria origem. As portas de correr japonesas tradicionais usam materiais muito leves em sua composição — papel e madeira, como já foi dito. Isso proporciona um deslizamento perfeito da abertura da porta.

Quem investir em uma porta de correr, é claro, não precisa comprar aquelas feitas de madeira e papel. Deve-se, contudo, investir na relação entre o peso da porta e a sustentação de correr do item.

A integração entre cômodos também é uma motivação para que as portas de correr tenham se tornado tão populares no Brasil. Duas salas, por exemplo, podem se tornar uma. Ter uma porta de correr como possibilidade de divisão delas também pode proporcionar privacidade entre os cômodos.

Mesmo empresas mais descoladas usam esse tipo de dispositivo da porta para criar ambientes que sejam integrados ou privativos, como para reuniões que exijam espaço próprio e concentração.

Um design para chamar de seu


A verdade é que as portas de correr, que têm conquistado a decoração no Brasil, esteticamente pouco se parecem com as que deram origem a elas, mesmo que as influências, como explicitado, sejam evidentes.

Entre as mais populares, estão aquelas com material sólido, sem entrada de luz, remetendo ao requinte tradicional do estilo minimalista. Já aquelas que tem, assim como o shōji, aberturas para entrada de luz, deixaram o papel de lado e deram lugar aos retângulos de vidro — tanto por sua durabilidade como por sua maior segurança. Dessa maneira, mesmo com forte influência internacional, desenvolveu-se um design específico do país para chamarmos de nosso.